
A geometria oculta do dia a dia
Linhas, curvas, formas, cores, detalhes e ângulos ocultos nas imagens do dia a dia. Esses elementos formam a estética abstrata e um tanto misteriosa que me move na fotografia. O grafismo é a minha inspiração. A arquitetura me atrai. Busco transformar o sólido em abstrato, o óbvio em não reconhecível, gerar múltiplas interpretações na cabeça do observador.
Gosto de andar a pé, sem pressa, observando os prédios, as ruas e calçadas. As imagens são captadas de preferência nas primeiras horas da manhã ou no final da tarde quando a luz é mais suave. Nem todas as composições, contudo, são planejadas. A minha imagem é solitária. Da presença humana, apenas os rastros deixados atraem a minha atenção. Ao mesmo tempo, a recriação do mundo presente no meu trabalho muitas vezes depende da ação de outro, seja na pintura de uma parede, numa sombra projetada na ou uma planta que nasce nas entranhas de um azulejo. Atraído pelo inanimado, capturo minhas imagens sem interferir nos objetos, que para mim são intocáveis, criando uma releitura abstrata do cotidiano.

O que pressinto na arte de Mauro é sua insistência obreira esgueirando-se em ramas, praias bravas, amanhaceres, pores de sol, noturnos, madrugais, enfim, certa manifestação inquieta digna da insatisfação do indivíduo a encontrar-se consigo mesmo. E, é aí que reside o fascínio de suas descobertas debaixo desse cenário orbital em que a terra se move. Fico com sensação de um eterno apanhador com a tarefa bíblica de colher substancias para alimentar nosso vício que é vermos comovido sua ação artística reparando a terceira margem de um rio caudaloso, deslizante e envolvente…
Valter Firmo


A geometria oculta do dia a dia
Linhas, curvas, formas, cores, detalhes e ângulos ocultos nas imagens do dia a dia. Esses elementos formam a estética abstrata e um tanto misteriosa que me move na fotografia. O grafismo é a minha inspiração. A arquitetura me atrai. Busco transformar o sólido em abstrato, o óbvio em não reconhecível, gerar múltiplas interpretações na cabeça do observador.
Gosto de andar a pé, sem pressa, observando os prédios, as ruas e calçadas. As imagens são captadas de preferência nas primeiras horas da manhã ou no final da tarde quando a luz é mais suave. Nem todas as composições, contudo, são planejadas. A minha imagem é solitária. Da presença humana, apenas os rastros deixados atraem a minha atenção. Ao mesmo tempo, a recriação do mundo presente no meu trabalho muitas vezes depende da ação de outro, seja na pintura de uma parede, numa sombra projetada na ou uma planta que nasce nas entranhas de um azulejo. Atraído pelo inanimado, capturo minhas imagens sem interferir nos objetos, que para mim são intocáveis, criando uma releitura abstrata do cotidiano.

O que pressinto na arte de Mauro é sua insistência obreira esgueirando-se em ramas, praias bravas, amanhaceres, pores de sol, noturnos, madrugais, enfim, certa manifestação inquieta digna da insatisfação do indivíduo a encontrar-se consigo mesmo. E, é aí que reside o fascínio de suas descobertas debaixo desse cenário orbital em que a terra se move. Fico com sensação de um eterno apanhador com a tarefa bíblica de colher substancias para alimentar nosso vício que é vermos comovido sua ação artística reparando a terceira margem de um rio caudaloso, deslizante e envolvente…
Valter Firmo

